10 fevereiro 2008

'Go Fish': pra começar, um clássico

Ok, pro primeiro post escolhi o filme Go Fish (1994) que é um dos maiores clássicos sapas até hoje. O filme é gostoso de assistir, mas tem também um significado histórico. Foi o primeiro filme lésbico, feito por lésbicas para lésbicas, a fazer sucesso não só no circuito de filmes GLBT, mas também entre o público geral. Abriu caminho pra outras produções que vieram nos anos seguintes embaladas com o sucesso como Better Than Chocolate, When Night is Falling, The Incredilble Adventures of Two Girls in Love, etc.
Este é definitivamente um filme obrigatório pra qualquer sapa, apesar de ser meio difícil de encontrar. Eu por exemplo demorei tempo demais pra assistir, só porque não encontrava em lugar nenhum. Mas como tudo na internet, se você procurar com carinho, acha... e com certeza valeu a pena a procura e eu fiquei me xingando por não ter ido atrás antes...

O filme lida com várias histórias de um grupo de amigas sapas em Chicago, mas gira principalmente ao redor de Max e Ely. O que diferenciou este filme dos outros da época que tinham personagens gays foi fato de ter sido produzido por lésbicas DE VERDADE, coisa rara na indústria do entretenimento. E o filme lida com homessexualidade da maneira que até hoje ainda é difícil de encontrar em filmes queer: de forma natural, tranquila e positiva. Ou seja, sem muito drama.
Max (a linda Guinevere Turner que algumas podem reconhecer como a Gaby de 'The L Word', ela é aliás uma das escritoras do seriado) é uma jovem escritora que está solteira há vários meses e não consegue achar uma namorada. Ela tem que superar alguns sentimentos superficiais em relação à Ely, e com um empurrão das amigas, as duas aos poucos se entendem. Nada de muito complexo, só pura diversão.

[Ok, agora vou discutir o filme um pouco, se você é dessas pessoas que não gostam de saber nada antes de assistir não leia este parágrafo]
O filme é todo em preto-e-branco e filmado num estilo diferente do usual. Alguns momentos são cômicos hoje em dia, como a cena de Max escolhendo entre várias fitas cassetes a trilha sonora do encontro entre ela e Ely, mas no geral o filme continua sendo atual no seu tema.
Pontos Fortes: as cenas cotidianas desse nosso mundo sápico, que realmente me deram a sensação de familiaridade. Como a festa em que Max e Ely ficam juntas, posso dizer que já fui em festas parecidas e os diálogos me pareceram bem reais, coisa que raramente podemos dizer em relação a esse tipo de cena. O momento em que elas se beijam foi o melhor pra mim. Nada daquela coisa cinematográfica de cruzar os olhares por alguns segundos, daí um beijo hollywoodiano e tal. Foi o beijo mais sincero que já vi em filmes. É justamente o que acontece quando se fica com alguém pela primeira vez, é estranho e repentino, e acima de tudo, real. Também na festa tem outra cena hilária, quando elas estão bebendo e conversando e começam a fazer a conta de com quantas cada uma já ficou entre elas... Fala sério, pelo menos comigo isso já aconteceu várias vezes em várias festas.... Uma situação típica entre sapas.... pelo menos no meu círculo de amigas hauahauahua
Uma outra conversa engraçada e que depois foi homenageada no The L Word é quando elas começam a enumerar as diferentes maneiras para se referir à vagina. Simplesmente hilário. Detalhe: uma coisa que deixa claro que o filme foi feito por sapas é a importância das unhas curtas na cena mais importante do filme...
A única coisa que posso reclamar é o final, quando você fica com vontade de ver mais da relação entre as duas mas assim que elas ficam juntas o filme acaba. Na verdade o filme poderia ser mais longo, mas dadas as circunstâncias da produção não podemos reclamar. O filme, escrito por Guinever Turner e Rose Troche, foi realizado com pouquíssima grana, e quando faltava dinheiro a produção parava até arranjarem mais.

ps: não sei se esse post vai sair coerente ou não... pq escrevi um bom pedaço durante uma super DR online com a minha namorada que está na Inglaterra... ai ai mulheres... vai entender.... mas vale a pena né?

5 comentários:

Anônimo disse...

Adorei o post inaugural! Começou mostrando a que veio: claro, objetivo, interessante, informativo, descontraído... Perfeito!

Mal posso esperar pelo próximo post.

Um beijão e tudo de bom!
Ju

ps. claro que o comentário inaugural tinha que ser meu, né.

gui disse...

PARABÉNS RÊ, CURTI MTO ESPERO QUE VENHAM MTS POST A FTE.
BEIJÃO
GUI!!

Anônimo disse...

Gostei!!! Ainda falta a "dona" do blog se soltar um pouco mais que eu sei que ela pode.....hehehe....Mas primeiro post é assim mesmo....a gente vem meio tímida!!! Mas tem tudo pra bombar com o tempo!!! E sapa é isso ae mesmo!!! Gosta de comentar sobre quais já ficou e tals...típica cena do The L Word, do mural da Alice interligando quem já ficou com quem!!!
Boa sorte e tudo de bom!
Turtle

deh disse...

uau. e olha que a referida namorada me alugou duas horas pra vir ler isso, eu vim só pra parar a encheção, sem saber que era você - e sem saber que era você eu gostei bagarai. como a ju já disse, objetivo e interessante - opinativo de um jeito que nenhum professor do jornalismo poderia xingar ;]~

*só broxei pq fiquei empolgada que em outros círculos lésbicos também se contava com quantas da roda vc já ficou, mas considerando que agora sei que foi vc que escreveu..

vou aguardar o próximo!
- e o dvdzinho básico pra eu assistir o clássico, claro ;]

;***

Anônimo disse...

Oi, Renata. Eu estava fazendo uma busca na net e encontrei seu blog, com o post sobre o filme, objeto da minha busca. Então, eu gostaria de perguntar: você pode me dizer onde baixar o filme na net ou onde obter o filme? No e-Mule só consegui a versão em Inglês com legendas em francês!!! Agradeço desde já a resposta. Meu e-mail é wonicv@yahoo.com.br. Abraços. Mônica