26 agosto 2008

"Personal Best": quebrando o tabu das lésbicas nos esportes (homenagem às Olimpíadas)

Olá queridas leitoras e leitores!
Sei que faz um tempo que não escrevo, mas como já expliquei no último post foi por boas causas... Tanto foi por uma boa causa que estou prestes a ser promovida no trampo novo já.

Mas voltando ao post... Eu adoro Olimpíadas e esportes em geral (Sou sapa afinal de contas...), e agora como estou trabalhando alguns dias durante a noite acompanhei de perto os jogos em Pequim e torci muito pros nossos atletas. Em homenagem aos jogos olímpicos preparei uma seleção especial de filmes e o primeiro é Personal Best, de 1982.

O filme é meio antigão e longo, mas é um ótimo filme de esportes e foi um marco na história dos filmes lésbicos. Junto com Desert Hearts (1985), faz parte da pequena lista de filmes clássicos dos anos 80, e por clássicos eu quero dizer únicos. Naquela época a gente não tinha tantas opções, e quaisquer personagens lésbicas, bissexuais ou gays que eventualmente apareciam eram completamente estereotipados, retratados como psicopatas, párias, etc, salvas essas raras exceções citadas.

Se vocês acompanharam as Olimpíadas como eu provavelmente vão gostar deste filme apesar dos seus defeitos. E, se acompanharam como eu, provavelmente também notaram que a atleta russa Yelena Isinbayeva do salto com vara é uma gracinha (elegi como a musa dessas Olimpíadas... estou obcecada por ela... a Ju não aguenta mais me ouvir falando dela), que o vôlei de praia tem certos atrativos especiais, que hóquei de grama não é tão chato quanto parece, e assim por diante... Personal Best explora justamente isso, que esportes são excitantes, emocionantes, e (por quê não?) às vezes super sensuais.

O esporte do filme é atletismo, pentlato pra ser mais específica, e a trama gira em torno da preparação de um grupo de atletas de uma faculdade rumo às classificatórias das olimpíadas de 1980 em Moscou. Mariel Hemingway (sim, a neta do autor--à direita na foto abaixo) interpreta Chris, uma novata super verde que sonha em ser competitiva e tem uma veia chorona tipo a da Jade (a Barbosa, da ginástica artística, claro que vocês sabem quem é...).

Logo no começo do filme ela se atrapalha com as barreiras, faz um tempo ruim numa competição e fica toda chorona--é quando ela conhece a Tory, atleta mais velha e experiente, vivida pela linda Patrice Donnelly(à esquerda na foto). Das duas atrizes a que ficou famosa e continuou a carreira foi a Hemingway, mas eu pessoalmente acho a Donnelly melhor atriz e muito mais bonita (não adianta, prefiro morenas mesmo), depois vocês me dizem qual delas preferem.

Logo de cara elas se dão bem e a relação das duas deslancha em pouco tempo, com direito à várias cenas de nudez e sexo, o que é claro não achei nem um pouco ruim... Essa progressão no relacionamento foi feita de maneira rápida, mas bem natural e fica claro que elas desenvolvem uma ligação bem forte logo de início.

Prestem atenção no cenário da primeira cena de nudez das duas com um certo abajur de pelicano breguíssimo estilo anos 70... impagável. Fora o cenário brega e enquadramento estranho achei a cena bem interessante e a naturalidade das duas me chamou a atenção. Outros momentos que me agradaram têm mais a ver com cenas do cotidiano do que com sexo, eu realmente curto quando os filmes mostram retratos das vidas dos personagens no dia a dia, fora da trama principal (outro filme que me chamou a atenção neste aspecto foi Treading Water, que amei e espero logo escrever um post a respeito).

A coisa começa a degringolar quando o treinador resolve colocar as duas na mesma modalidade, o pentlato, que era especialidade de Tory, e a competitividade começa a aflorar. Não consegui entender na verdade qual a motivação deste personagem no filme, os atos aleatórios de machismo e estupidez com as atletas não ficaram muito coerentes, pelo menos pra mim. Ele instiga competitividade entre elas e consegue afetar o relacionamento. A tensão vai escalando até que elas não aguentam mais e terminam. Eu sei que eu mencionei que este é um clássico lésbico, mas na verdade se for ser precisa o filme retrata mais a bissexualidade de Chris, já que quando ela termina com Tory, começa a sair com homens, mas em nenhum momento elas se definem como uma coisa ou outra.

Eu sempre tenho um pé atrás com esse tipo de enredo, mas neste caso o roteiro lida bem com a transição. Chris não nega o relacionamento e atração que teve por Tory, não descarta como simples experimentação como outros filmes que já vi e que me irritaram. Para Chris, o relacionamento com Tory foi sério, intenso e bem real, mas que não deu certo e agora ela está à procura de outros relacionamentos. Não que eu tenha gostado dessa virada nos acontecimentos, mas fazer o quê... filme é que nem esporte, só dá pra torcer mesmo.... e eu sou uma romântica incurável que sempre quer ver as personagens ficando juntas... Mas o final é bem positivo e reflete o respeito que ambas sentem uma pela outra.

De modo geral eu gosto bastante deste filme, sim, ele tem seus defeitos, mas aprecio bastante seu valor histórico. Também curto muito o fato de ser um filme sobre esportes com personagens lésbicas e bissexuais, algo que desafiou tabus e que continua até hoje como sendo o único do gênero. O filme foi feito em 1982, mas os tabus resistem até hoje. Todo mundo sabe que o mundo dos esportes (assim como todas as esferas sociais) está cheio de lésbicas e até sabemos identificar quais são e quais os esportes com mais sapas (alguém falou em futebol feminino?), mas isso ainda não é sequer comentado pela mídia ou pelas próprias atletas. O que é visível é que ainda existe um preconceito muito grande no mundo esportivo (assim como em todas as esferas sociais... como eu me repito) mas existem sim exceções como estas atletas assumidas ou como o saltador medalha de ouro que se assumiu.

Agora às coisas que eu não gosto em Personal Best...
Acho que poderia ser bem mais curto, melhor editado e sem as várias cenas em câmera lenta (uma ou duas já está bom né?). Também acho que o roteiro poderia ser melhor, tem várias cenas que parecem não ter nenhuma conexão entre si ou simplesmente não adicionam nada à história. E eu tenho que comentar sobre a cena mais bizarra que já vi em um filme: quando Chris acha um namoradinho nadador lá pro final do filme, eles estão nus na cama e ele diz que vai no banheiro. Até aí tudo normal certo? Só que ela faz a maior manha e pede pra segurar o pênis dele enquanto ele faz xixi... Ele hesita mas acaba aceitando e a cena mostra os dois de costas... fiquei sem palavras quando vi pela primeira vez de tão bizarro que eu achei... e mais uma vez é uma cena que não tem ligação nenhuma com o resto da história, ou talvez seja pra mostrar como a personagem está totalmente fora de si depois de terminar com a Tory... vamos rezar pra que seja isso e não alguma intenção freudiana do diretor...

Tem a parte que eu achei inverossímel que é o tanto de drogas que os atletas usam... não tinha exame anti-doping naquela época? Ou será que maconha não aparecia nos testes?

E por último, tem gente que reclama que o filme tem muitas cenas gratuitas de nudez... já eu nunca vou reclamar de ver várias atletas nuas numa sauna... Precisar precisar é claro que o filme não precisa daquelas cenas... mas também fazer mal não faz né? E sempre tem tanta cena gratuita de nudez nos filmes pra héteros... vamos aproveitar o tantinho que é voltado pra gente...

O filme dirigido por Robert Towne, roteirista famoso que escreveu roteiros como Chinatown e Bonnie e Clyde. Ficou conhecido no Brasil como "Tudo pela Vitória: As Parceiras". Infelizmente não encontrei legendas em português até agora, mas achei que como era uma ocasião especial ele merecia um post mesmo assim... Se alguém tiver arquivo com a legenda deste filme por favor me passe para que eu possa disponibilizá-lo para nossas colegas sapinhas que não merecem perder de ver o filme só porque não sabem inglês.

22 comentários:

Lúcia disse...

Nossa...pensei que so eu lembrava desse filme.Olha que faz tempo que eu vi,no canal aberto na sessão coruja...rs.rs.rs.Eu gostei muito do filme so que nunca mais vi.lendo o seu post relembrei cada detalhe.Bela reliquia tb muito de esportes e infelizmente dormi o tempo todo nem um set de volei eu consegui ver.

Boas vindas aos posts.

Renata disse...

Oi Lúcia!
Eu também já peguei muito filme LGBT obscuro nessas sessões corujas anônimas...
Nessas olimpíadas por causa do meu horário louco eu acabei vendo muita coisa, e eu curto bastante assistir às competições... foram as noites que passaram mais rápido desde que eu comecei a trabalhar.

Um abraço,
Renata.

Pernambucobebendoparaomundo disse...

"Tem a parte que eu achei inverossímel que é o tanto de drogas que os atletas usam... não tinha exame anti-doping naquela época? Ou será que maconha não aparecia nos testes?"

Assisti esse filme há algum tempo, mas parece que eles falam que havia sim, antidoping, mas que ópium (ou seria haxixe ?) não era detectado nos exames à época...
Talvez não fosse condsiderados, já que o efeito é avesso a um bom desempenho...

Mas é um belo filme.

Vênus disse...

Obrigada pela visita, já está devidamente linkada... he he. Beijos

Alice disse...

Nossa, tem anos que vi esse filme - e assim mesmo, só umas partes, também no Corujão. Fiquei curiosa agora, com vontade de vê-lo por inteiro.

Renata disse...

Assisti esse filme quando era adolescente (faz tempo!! rs). E foi na Sessão da Tarde!!! Será que passariam ele hj?

lola aronovich disse...

Oi, Rê! Que bom que vc está de volta! E parabéns pela futura promoção.
Olha, sobre o filme, já no seu primeiro parágrafo, eu pensava: só me lembro da cena que ela vai ao banheiro com o carinha. Ë que como sou hétero, aquela foi minha cena favorita. Aí vc a menciona como uma cena bizarra! Olha a diferença de perspectivas...
Mas gosto do filme.
Ah, só uma correçãozinha: o Robert Towne foi o roteirista mais conceituado dos anos 70. Seu roteiro mais marcante foi mesmo Chinatown. Mas ele não é conhecido pelo roteiro de Bonnie & Clyde, até porque aparece uncredited. É que ele atuava também como consultor de roteiros, dava uma mãozinha, mas a fama por B&C não pertence a ele. Naquela época, outro trabalho elogiadíssimo dele era por A Última Missão, aquele do marinheiro com o Jack Nicholson. Muito bom filme.
Oh well, detalhes, detalhes. Mas como vc é ligada a detalhes... Quem mais ia reparar num abajur em forma de pelicano bem numa cena de sexo? Ha, isso me lembrou uma anedota sobre Carrie, A Estranha. Sabe como o filme começa num vestiário feminino, com montes de garotas nuas desfilando em slow motion? Os créditos rolam, e o nome do editor do filme aparece bem quando surge a Nancy Allen nua em todo o seu esplendor. Parece que passaram a vida toda perguntando pro editor: "Por que seu nome não aparece nos créditos?". Mas vc repara em abajur em forma de pelicano!
Abração.
www.escrevalolaescreva.blogspot.com

Anônimo disse...

Essa cena do sexo, q ela inclusive pega o abajur pra conseguir ver de perto o machucado q tem no joelho, me lembra um clip da Cindy Lauper (bem anos 80 mesmo) em q ela chorosa nao cama, abraça um cachorro (de tamanho medio) feito de ceramica, q tem ao lado da sua cama....e fica abraçada com ele na cama.... afff.....fica akele bicho la, duro de pernas retas , parecendo empalhado...hahahaha.....mau gosto anos 80...
Q bom q vc voltou Reeee
BJoooo
Júlia

Barbara disse...

Cheguei no blog por acaso e adorei, parabéns! adorei os cometários sobre os filmes e eu me lembro como se fosse ontem eu assistindo o Personal Best em algum corujaão da vida!! adorei! Eu costumo fazer download de filmes com tematica lésbica nesse blog - http://elaseelasfilmes.blogspot.com/
tem varios filmes interessantes.
Vou passar por aqui!
abs, Barbara

claudia guay disse...

finalmente um post seu, garota!!!
que ótimo!
gente, eu nem lembrava desse filme! quero assistir de novo! hehehe...
bjs!

Vênus disse...

Coro: Atualiza! Atualiza! Atualiza!!!! rsrs

Renata disse...

acho que atualizarei este final de semana vênus...

e obrigada pelos elogios bárbara! Fico feliz que tenha gostado!

Karina disse...

Muito bom seu blog! Quando tiver um tempinho, dá uma passadinha no meu.

Águeda disse...

Por favor, não pare de postar! Você é ótima!

Liquidificador - Seu Guia GLS disse...

Olá! Vi seu link no blog da Vênus e adorei! Gostaria que você desse uma passadinha em meu blog. Ainda é novo, mas estamos caprichando para que tudo ocorra bem e se desenvolva bastante. Esse blog será direcionado ao publico GLS em geral, mas o guia impresso vai ser voltado para o público GLS de Salvador. Vou linkar você em meu blog, pode ser? Se possível me linka também no seu. Sou publicitária e moro em Salvador. Um beijo, Nane.

Marcia Paula disse...

Assisti esse filme no cinema,fiquei sem fôlego.Pena que elas não ficam juntas.Esse era o grande problema recorrente em filmes com lésbicas.Ainda era tabu afirmar que duas mulheres podem viver felizes juntas e bem resolvidas com a questão da sexualidade.Uma boa lembrança cinamatográfica mesmo assim.Bjs.

Eu e ela disse...

Adorei seu blog! Muito boas as dicas de filmes e os textos são ótimos :D
Já está linkada!

Beijos :*

M.B. disse...

putz, eu fui outra que cheguei aqui por acaso também mas adorei, já li mais da metade dos seus posts e não páro... muita coisa interessante, parabéns :) vou te linkar lá no meu! beijos e parabéns mais uma vez!

Monalisa disse...

Venho procurando esse filme na net como uma louca.:) Assisti pela metade uma vez qd era pequena no Corujão - não por acaso meu apelido ;), pela metade pois vovó chegou e acabou com a festa. rsrsrs fiquei impressionada com o filme - felizmente hj sei bem pq.:)
Alguem pode me dizer onde tem um link pra baixar? Não acho nem em locadora. Se alguem souber pode mandar pro meu e-mail: monalisaba@gmail.com.

Grata.

Anônimo disse...

Foi o primeiro filme com a temática les que assisti. faz muitos anos. é bom filme

Anônimo disse...

Olá, adorei o seu blog, ñ dá vontade de parar de ler...rs
-Sobre a cena bizarra penso q a personagem estava mesmo curiosa em saber como é estar no lugar de um homem qdo vai ao banheiro...qdo li a sua descrição da cena foi o q me veio à cabeça. Afinal mtas mulheres têm essa curiosidade...
Claro q deve haver uma explicação mais profunda, mais freudiana pra isso...mas acho q deve ser mais ou menos por aí...
...abração!

adri disse...

otimo filme e é sempre bom relembrar bjss