05 novembro 2008

Sobre Vitórias e Derrotas: a eleição americana e a perda de direitos LGBT

Acordei hoje super feliz com a notícia de que o Obama havia vencido de lavada. Os democratas levaram não só a presidência, mas a maioria no senado e na câmara. Podemos todos respirar um pouco mais aliviados de que o mundo não vai para o buraco junto com os americanos tão cedo quanto iria com um outro mandato republicano.

Todos os jornais citam esse dia como um marco na história, principalmente por Obama ser o primeiro presidente eleito afro-descendente. É uma coroação dos movimentos pelos direitos civis dizem muitos militantes daquela época que lutaram contra a segregação racial.

Infelizmente em relação a direitos civis a eleição foi apenas um marco histórico para os afro-descententes mesmo. A população LGBT americana perdeu muitos direitos com esse resultado. Incrível como em todo o resto aparentemente houve um movimento em direção ao centro, se afastando do conservadorismo de forma inédita na história americana (em um estado até pesquisa com células-tronco foram aprovadas), mas quando se trata de direitos LGBT é difícil ver os resultados sem ficar ao menos um pouco frustrada.

Deixem-me explicar melhor isso: junto com as eleições presidenciais, os americanos sempre aproveitam a oportunidade para realizar vários plebiscitos e ontem vários estados votaram a favor ou não da adoção de crianças por casais do mesmo sexo e a favor ou não da legalização de uniões civis entre homossexuais. O resultado foi um retumbante "AINDA SOMOS PRECONCEITUOSOS EM RELAÇÃO A ISSO E ACREDITAMOS QUE VOCÊS NÃO MERECEM OS MESMOS DIREITOS".

A mídia, pelo menos por agora, ainda não está comentando nada a respeito disso. Estão muito ocupados louvando o sonho americano e a vitória da luta pelos direitos civis dos afro-descendentes. Ainda não viram a ironia suprema que é falar em vitória de direitos civis enquanto toda uma parte da população é relegada à marginalidade e segregação.

De qualquer maneira, quem sabe isso nos sinalize que daqui a quarenta anos talvez o povo tenha conseguido superar os preconceitos contra os LGBT da mesma maneira que conseguiram contra os afro-descendentes (será? O próprio Obama diz pra acreditar em mudança). Quem sabe então possamos visualizar um cidadão concorrendo à presidência independente não só de sua cor, mas também de seu gênero e sexualidade. Eu ficaria feliz só em saber que os cidadãos LGBT de lá possam ter direitos iguais a quaisquer outras pessoas, como diz a tão aclamada constituição deles.

Acho que estamos mais perto que eles de conseguir isso.

Este é o link para ver os resultados nos vários estados (alguns ainda estão contando os votos, mas acho que os resultados não vão mudar de rumo não).

Eu sei que este post não teve muito a ver com filmes, ou seriados, ou documentários... Mas foi algo que me veio naturalmente hoje de manhã no trabalho enquanto lia sobre os resultados. A minha frustração ao ler sobre os plebiscitos quase que igualou a minha alegria anterior ao saber da vitória de Obama.

De qualquer maneira, quero dizer que quero voltar a postar no meu ritmo normal a partir deste mês (e não, esta não é só mais uma promessa de campanha). Fui promovida no meu novo trampo e as coisas estão mais calmas o suficientes para que eu possa voltar a me dedicar como gosto do blog.

**Legenda do cartoon:
Codificação do casamento:
Gays - Mal encarnado
Bissexuais - Confuso
Ateus - Sem sentido
Liberais - Maculado
Conservadores sem filhos - Suspeito
Conservadores com filhos - Aprovado

15 comentários:

lola aronovich disse...

Puxa, uma droga isso da perda dos direitos dos gays. Escrevi um pequeno post sobre isso ontem. Será publicado hoje daqui a alguns minutos.
Fico muito feliz com sua promessa de voltar a postar aqui, Rê. Espero que vc possa voltar também a comentar no meu bloguinho. Aliás, acho que no meu penúltimo post (um sobre Stop Loss - vc vai falar do filme?) uma leitora veio com um papo que as lésbicas adoram o Bruce Willis. E eu só pude dizer: "Vou consultar as minhas amigas lésbicas pra confirmar essa aberração". E aí, aparece lá pra esclarecer as coisas?
Abração procê e pra Ju!

Alice disse...

Lamentável a derrota dos direitos LGBT, fiquei desanimada. Se num país liberal como os EUA é difícil assim, imagina aqui no Brasil!

Renata disse...

Oi Lola!
pois é, também estava com saudades de me dedicar ao blog e de dialogar com várias pessoas sobre assuntos polêmicos via posts. Eu tinha outro obstáculo além do trampo muito estressante pra não ter participado muito da blogosfera nos últimos meses: meu irmão se mudou de casa e levou junto a conexão com a internet, o que só me deixava o trabalho como ligação ao resto do mundo e de lá as opções são meio limitadas. Mas agora há pouco assinei com a NET e espero que em pouco tempo eu já esteja turbinando minha conexão de 3MB lá em casa e de volta ao normal...
Quanto ao Bruce Willis... não sei não... acho que muitas lésbicas como eu curtem filmes de ação, mas daí a "adorar" o Bruce? difícil.
Bom, não sei se vai dar pra olhar o seu post com calma e comentar... a Ju está saindo do banho e vamos passar o resto do final de semana lá em casa (a terra sem internet com os dias contados).

Oi Alice,
eu acho que fiquei mais que frustrada com o resultado, fiquei triste mesmo. Deprimida.
Mas eu não acho que os EUA sejam tão liberais assim, na verdade eu acho que em muitas questões eles são muito mais conservadores que nós (isso é uma coisa que eu e meu amigo Marcelo sempre discordamos). Eu acho que a mídia deles é bastante liberal (ao contrário da nossa), mas a população em si ainda carrega muitos preconceitos e tem muito mais tabus que nós em relação a qualquer expressão de sexualidade.

Um abraço e bom vê-las de novo nos meus posts!

FOXX disse...

pois é...
será que viveremos para ver?
mas qntos negros não devem ter pensado isso tb: será que viveremos para ver um presidente negro?

SUNDAY PARTY ! disse...

OLÁAA!!!

VAMOS TROCAR LINKS ??

O MEU É :

CANOADEMENINAS.BLOGSPOT.COM

BEIJOS !!

Marcia Paula disse...

Boa noite,

Estou no time 2 de autoras do abcLES-Portal de Literatura Lésbica,conto com sua presença,às segundas-feiras,a partir de 8 de dezembro, para ler meu livro "As Amigas de Júlia",maiores informações visite abcLES:

http://www.abcles.com.br

Obrigada.

Vênus disse...

Opa, um post de 5 de novembro? Parece que foi promessa de campanha voltar a postar né? rsrs... Beijos

liv disse...

Todo processo é demorado.O direito ao voto femoinino foi dificil,mas...chegamos lá. O poder se reveste de desculpas seja na religiao .seja no poder de gêneros.Mas o mundo caminho,as pedras rolam.Apreciando muito seu espaço.Gosto de falar sobre tudo numa troca sem medos,preconceitos,isto é bom .O amor é sempre revolucionario no sentido de mudar a visão dogmática das relaçoes afetivas.Amar causa medos para muitos.Diminuir o amor e suas formas de expressão é manter a dominaçao.

lola aronovich disse...

Oi, Rê! Este blog ainda existe?! Vc deve estar super ocupada, mas PRECISA escrever sobre Milk. Ah, escreve, vai. E eu queria te convidar pra escrever um guest post pro meu blog. Eu e outras blogueiras (héteros) estávamos falando sobre como, em Milk, tem toda a pinta das lésbicas (e mulheres em geral) serem excluídas do movimento GLBT, pelo menos no seu início. E aí surgiu o papo de alguns gays serem misóginos, dizerem ter nojo de mulher. E sobre muitas mulheres héteros conhecerem tão poucas mulheres lésbicas. E sobre como é ser lésbica assumida num contexto em que tantos homens héteros, por influência da pornografia, veem lésbicas como uma fantasia sexual. Então, eu queria muito ouvir sua opinião sobre tudo isso. E aí, topas?

Renata disse...

Oi Lola, este blog está vivo sim... ainda que em stand-by... não estou pronta pra deixar esse projeto morrer ainda... sou apegada, não tem jeito... e ainda tenho muitas esperaças pra ele...

Estou louca pra ver Milk, mas ainda não tive a oportunidade. Já conheço toda a história e acompanhei boa parte da produção, mas ainda estou esperando chegar no cinema por aqui...

Você tem razão, estou super ocupada... meu trampo me suga a alma... mas fazer o quê? A girl has to make a living... somehow... o problema é que daí não me sobra muita energia pras outras coisas que me dão prazer. Nem lembro da última vez que desenhei alguma coisa... ou li algo remotamente ligado à literatura...

Mas... É claro que eu aceito fazer um guest post no seu blog... Fico honrada com o convite! Pra quando você quer isso? E é pra falar de todas essas questões? Olha que é bastante coisa....

Um beijão

lola aronovich disse...

Puxa, Renata, seria uma maravilha se vc pudesse escrever um guest post. Não, pode ser qualquer questão relacionada a lesbianismo que vc queira enfocar. Pense que vc estará escrevendo prum público majoritariamente jovem, de mulheres héteros (muitas das quais não conhecem nenhuma lésbica, apesar da maioria ser simpatizante e apoiar a luta contra a homofobia). Olha, não tem pressa não, é pra quando vc puder. Inclusive, se ficar longo demais, eu separo em dois guest posts. O assunto é muito interessante.

M. disse...

Aproveito este espaço para levantar uma questão. Os homossexuais continuam a ser inibidos nos dias de hoje de doar sangue. São ainda considerados um grupo de risco. Nesse sentido existe uma petição online com a tentativa de mudar essa medida:

http://www.peticao.com.pt/doar-sangue

Se estiverem contra essa medida, assinem! Obrigada. *

Tátá disse...

Olá,
Gostei muito do seu blog, dos e colocarei certamente entre os favoritos...convido a visitar o meu cantinho.. abraços Tátá
http://circulovicioso.zip.net/

Marcia Paula disse...

Oi Renata,em fevereiro de 2008!!!!vc disse que tava difícil achar exes & ohs.Agora tá fácil(muitos filmes legais lés).Beijos.

http://www.elaseelasfilmes.blogspot.com/

lola aronovich disse...

Renata querida, só ontem li o seu comentário lá no meu blog. Puxa, então vc tá cursando Letras agora?! Na UFSC? Deve ser bem chato, ainda mais depois de fazer mestrado. Espero que vc tenha dispensado várias matérias. O meu curso a distância ainda não começou. Acho que semana que vem... Pensei que vc estivesse satisfeita com o jornalismo e fosse ficar nessa área mesmo. Mas, enfim, antes fazer Letras agora que seguir pro doutorado, como eu, e só depois descobrir que o curso é imprescindível. Ai, ai. Boa sorte pra gente! E fico aguardando o seu guest post! Abração pra Ju.