23 março 2009

"For the Bible Tells Me So": uma cruzada pela verdade na discussão entre homossexualidade e religião

Depois de tanto tempo sem postar (outra hora me explico, mas envolve uma namorada ocupadíssima, um trampo muito estressante, trabalho voluntário que exige horrores de tempo e aulas como caloura na UFSC, sim, de novo) queria me redimir com um post sobre um dos documentários mais marcantes que já vi. For the Bible Tells Me So fala de religião e homossexualidade, e dos inevitáveis (será?) conflitos que advém quando os dois se cruzam.

O filme começa com uma cena clássica da Anita Bryant, uma religiosa fanática que fez campanha contra homossexuais nos anos 70, levando uma tortada na cara (quem viu Milk vai lembrar dela). Isso já é em si só uma amostra de quanto os ânimos se acirram quando a questão religião e homossexualidade começa a ser discutida em qualquer lado da balança. Em seguida vemos e ouvimos vários trechos de sermões e discursos do naipe de "Estamos destruindo o alicerce da sociedade", "Este país está fazendo de tudo para fazer as pessoas acreditarem que é ok ser gay. Quando não é. Por isso Deus destruiu Sodoma e Gomorra e por isso Deus vai destruir este país", misturados com imagens de passeatas por direitos gays e paradas.

Em menos de cinco minutos se vocês forem como eu já estarão chocados com o discurso de ódio que é proferido contra a população LGBT. Eu digo chocado não no sentido de surpresa, porque todos sabemos do que se trata (muitos de nós já sentiram na pele), mas no sentido de não conseguir aceitar a simples existência desse discurso. Eu sempre me sinto assim, não consigo me acostumar ao fato de milhões de pessoas odiarem o que eu sou com tanta veemência. Estou mais do que ciente da existência desse ódio e preconceito, mas por mais que eu ouça e me informe e lute contra isso, a cada nova vez que eu escuto me vem a sensação de choque e incredulidade novamente.

Ok, mas continuando sobre o filme (estou revendo pela quarta vez pra escrever o post e já estou com lágrimas nos olhos). As histórias são contadas através das perpectivas de cinco famílias religiosas que tiveram que lidar com um filho gay ou uma filha lésbica. Aos poucos vamos nos familiarizando com esses personagens, com essas famílias que sofreram e ainda sofrem tentando aceitar a ideia de que um dos seus filhos queridos também é um dos que a Bíblia condena como uma abominação. Como fazer para conciliar seu amor por um membro estimado da família com a convicção de que a Bíblia classifica ela ou ela como não naturais?

Não quero entrar em nenhuma questão de religião específica, mas acho que existe sim uma razão ou um propósito para que nasça um filho ou filha homossexual dentro de uma família preconceituosa. Acredito que é uma das grandes ironias da vida (e, porque não dizer, divinas): é muito fácil julgar o outro, o diferente, ter preconceito e condenar aquilo que pra você é alheio. Quantas vezes não vemos a religião sendo usada para propagar justamente esse ódio ao diferente? Mas como fazer quando de repente a diferença chega até você? Quando não é mais o garoto efeminado da novela que é bixa, ou a menina de estilo moleque do seu bairro que é sapatão, ou qualquer outro estereótipo, o que fazer quando você descobre que o seu filho ou sua filha são aquilo que você sempre desprezou sem maiores considerações? O documentário lida com essas contradições. Cinco famílias religiosas que enfrentaram essa situação, algumas bem outras nem tanto.

Acho que o filme já começa desafiando essa questão de diferença. Os gays não são colocados como diferentes, e tampouco os religiosos. Ao invés de contar a história de um ponto de vista "nós" versus "eles", "homossexualidade" versus "Bíblia", "gays" versus "religiosos", como se fossem lados opostos em uma batalha, o filme nos conta as histórias de quando não há o diferente, nem de um lado nem de outro. Quando os dois lados fazem parte da mesma família. A ideia do filme é fugir dessa polarização e lidar com o assunto da melhor maneira, de uma maneira humana.

Então vamos aos casos individuais. A primeira família é a de Gene Robinson. Eu não sei se vocês já ouviram falar dele, mas se ainda não sabem quem é deveriam ir atrás. Ele foi o primeiro religioso abertamente gay a ser consagrado como Bispo na Igreja Episcopal. Um homem que quebrou barreiras e foi inclusive convidado a dar uma prece na inauguração das festividades da posse do Obama (no meio de uma polêmica entre Obama e o movimento LGBT pelo fato do primeiro ter convidado um religioso anti-gay, Rick Warren, para fazer a oração no dia da inauguração). Os pais já idosos dele falam de como Gene nasceu com problemas de saúde, e de como eles agradeciam a Deus pelo filho ter crescido normalmente apesar dos médicos terem falado que ele sofreria com problemas de desenvolvimento. Eles se emocionam ao contar a história. É muito claro que amam o filho genuinamente e tem orgulho dele.

A próxima família a ser apresentada é a dos Poteats (ao lado). A fala que mais me marcou nos relatos dessa família é a do pai quando fala que rezava a Deus para seus dois filhos, um menino e uma menina. Que o menino não virasse uma bixa, e que a menina não se transformasse numa vadia. A grande ironia de acordo com ele é que Deus ouviu as preces dele. Foi a filha que se revelou lésbica... (Sempre achei que foi exatamente o que aconteceu com meu pai...) Homossexualidade era uma coisa que ele nunca esperaria que acontecesse comigo, justo a filha menina (acho que as pessoas quando pensam em homossexualidade acabam lembrando só dos gays mesmo tsc tsc). Em seguida os Reitans, que tem um filho adolescente gay, são apresentados e logo depois os Gephardts, que tem uma filha lésbica.

Depois que as primeiras quatro famílias são brevemente apresentadas o documentário foca um bom tempo na palavra "abominação", que é como a Bíblia descreve atos homossexuais em algumas passagens tais como Levítico 20:13. As entrevistas com as pessoas na rua mostram o quanto de ignorância há por trás da ideia do que exatamente a Bíblia fala, já que muitos nunca leram as tais passagens que condenam a homossexualidade. Na passagem citada o que acontece é que ao mesmo tempo em que classifica um homem deitar com outro homem como abominação, um pouco antes também classifica a ingestão de frutos do mar como tal, e um pouco abaixo condena misturar mais de uma semente na mesma plantanção como abominação. A leitura literal de apenas um verso fora de contexto é o mal que aflige aqueles que usam a Bíblia para justificar seus preconceitos, conforme vários teólogos entrevistados.

O documentário relata um pouco de como foi para os filhos e filhas se assumirem para si mesmos e depois para os pais. O processo é mostrado através dos dois pontos de vista e não há como não se emocionar com alguns dos relatos. Me identifiquei com várias das histórias e acho que deve ser uma reação comum pra quem já viveu isso na pele. Acho que em toda a história de se assumir e de assumir para os pais há alguns elementos em comum: o medo de não ser aceito, medo de não ser mais amado, medo de ser motivo de vergonha para os pais, o medo de não se sentir parte de algo maior, entre outros por parte dos filhos; e por parte dos pais a sensação de não conhecer mais seu filho, o medo de que ele ou ela percam seu rumo na vida, o medo de um "estilo de vida" (não concordo com essa expressão) desconhecido, a sensação de ter todos os sonhos para aquela pessoa despedaçados de uma vez só... "Foi como uma morte" disse o pai de Jake, da família Reitan. Acho que é algo do gênero para os dois lados... Em compensação existe também a sensação de renascimento, você sai disso tudo uma nova pessoa, a pessoa que você verdadeiramente é, e acho que no final os pais entendem isso (na maior parte das vezes).


"Amor incondicional" fala Dick Gephardt (um político proeminente do partido democrata americano), pai de Chrissie (foto acima). Ele resume bem o sentimento que precisa ser redescoberto para que haja a aceitação. Chrissie teve muita sorte, seus pais a aceitaram imediatamente e a asseguraram que seu amor continuaria o mesmo e que a apoiariam sempre. Com certeza algo que muitos de nós ainda esperam ouvir. Já aviso que às vezes demora um pouco, como no meu caso e a dos outros no documentário.

Foi o caso de Jake, da família Reitan (na foto acima com os pais). Seus pais não sabiam como lidar com a situação e procuraram o apoio de um pastor parente deles que os aconselhou a não aceitar o filho como homossexual, que ele poderia mudar e que o faria com a ajuda da igreja e deles. Sugeriu que algumas pessoas passam por fases na vida onde sentem atração pelo mesmo sexo e que talvez fosse o caso com Jake, que ainda era adolescente. Eu pergunto a todos os pais com filhos gays ou quaisquer outras pessoas com essa ideia: será que é realmente plausível que alguém escolha voluntariamente passar por esse tipo de sofrimento por um sentimento passageiro? Eu pergunto pra quem acha que ser gay ou lésbica é questão de escolha, de "estilo de vida": quem escolheria sofrer preconceito diariamente? Se fosse uma escolha realmente, quem escolheria isso? Quem escolheria o medo de ser rejeitado pelos próprios pais? É claro que não temos escolha, nascemos assim e somos obrigados a enfrentar uma sociedade inteira para termos uma chance de ser felizes. Eu acho que cada um de nós deveria receber um prêmio, só pela coragem de assumir ser algo diferente do que a sociedade dita para você.


O que alguns programas religiosos ditam é que homossexualidade é uma escolha e que o que você deve fazer para "salvar" seu filho é não aceitá-lo. Isso é a pior coisa que se pode fazer numa hora dessas, diz uma psicóloga no documentário. É justamente o período mais frágil na vida de alguém e pode ser devastador ser rejeitado pelas pessoas que você mais depende. A história da quinta família no documentário mostra isso claramente. A mãe, Mary Wallner (ao lado com as duas filhas), conta como rejeitou sua filha (direita na foto), como usou as passagens da Bíblia para dizer as coisas muito pouco amáveis como "eu te amo, mas sempre vou odiar isso em você", na maneira que julgava correta pelas intruções da igreja.

Isso afastou Anna, a filha, cada vez mais até que ela cometeu suicídio. Infelizmente essa é uma realidade no nosso mundo, gays e lésbicas são três a sete vezes mais propensos a cometer suicídio, e essa taxa aumenta ainda mais quando se trata de adolescentes. Acho que as pessoas não conseguem entender inteiramente o que é sentir solidão por completo, o que é sentir-se o único no mundo. O que é sentir-se realmente só. Um dos entrevistados que trabalha numa ONG de prevenção ao suicídio do estilo do CVV diz que uma das cinco maiores razões para os jovens ligarem para pedir apoio é por razões religiosas. O que a Igreja faz é criar um mundo onde a pessoa se sente ainda mais só, como se nem Deus aprovasse da sua existência, como se não houvesse maneira de conciliar fé e homossexualidade. Um mundo onde a primeira resposta é o ódio a si mesmo, é a falta de aceitação de si mesmo. Um mundo onde há o medo de falar com os pais, com os professores, com os líderes religiosos, com os amigos, etc.

E o que acontece também é que se cria um mundo onde a violência contra gays e lésbicas é justificada pela Bíblia. Assim como a Bíblia foi erroneamente usada para validar escravidão, opressão contra as mulheres, apartheid, anti-semitismo, e asim por diante, hoje é usada para justificar preconceito com a população LGBT. Nós somos o novo "outro". O clima político é um em que a violência contra gays e lésbicas é tida como um ato divino, alguém fazendo a vontade do Senhor. A mensagem de amor e compaixão expressa na Bíblia fica perdida em meio à alienação do preconceito.

"Minha crença teológica é que todas as relações baseadas em amor são honradas por Deus" diz um dos entrevistados. Amor é um sentimento divino, como poderia ser condenado por Deus? Em que realidade seria plausível que Deus condenasse um amor tão puro quanto qualquer outro? "Jesus sempre abraçou os excluídos, como alguém usaria suas palavrar para excluir um grupo de pessoas e se proclamar cristão não faz sentido para mim" diz outra entrevistada. Amor, inclusão, compaixão: esses são os sentimentos ensinados por Jesus. Onde as pessoas encaixam preconceito dentro disso não entendo.

Um rabino entrevistado lembra que na Bíblia um homem adquiria sua mulher. Não fazemos mais isso, diz ele. O conceito de casamento mudou desde aquela época, completa. Então porque será que as pessoas tem tanto medo de redefinir o que é o casamento? Dizem que a legalização das uniões gays irá redefinir o que significa casamento. E daí? É o que se faz com o passar do tempo, se redefinem as coisas. O conceito de casamento vem mudando há séculos, justamente agora significará o fim da sociedade? Não era o que diziam do casamento interracial? Do divórcio? Pelo que me consta essas foram redefinições do que é casamento e ainda continuamos aqui, o mundo ainda não acabou.

"Eu não consigo imaginar, por mais que tente que Deus puna as pessoas dessa maneira. Eu vou te punir porque você é negro, você deveria ter sido branco. Eu vou te punir porque você é mulher, você deveria ter sido homem. Vou te punir porque você é homossexual, você deveria ter nascido heterossexual. Não consigo realmente imaginar que seja assim que Deus veja essas coisas." Desmond Tutu, arcebispo e nobel da paz pela sua luta contra o Apartheid.

Pronto, estou eu aqui novamente chorando ao terminar de assistir esse documentário. Acho que é o tipo de filme que tinha que ser mostrado nas salas de aula. As legendas em português demoraram um tanto, mas estão disponíveis nesse link. O filme em inglês está disponível na íntegra no Youtube, mas também é bem fácil de conseguir para baixar nos caminhos usuais. Acho que ficou claro pelo meu post imenso que eu mais do que recomendo. É dos meus filmes favoritos de todos os tempos e programa obrigatório para vocês minhas leitoras e leitores.

35 comentários:

Lady e Butch disse...

Sem comentários....
Pausa para respirar****
Assim que me recompor,volto e comento rs..
Amei seu blog,esse é mais que obrigatório nos meus favoritos,continue e boa sorte na nova jornada,trabalho novo,namoro e afins rsrs...
beijoss

Renata disse...

Q bom que está de volta!

Renata disse...

Que bom que vocês gostaram Lady e Butch e Renata! Fico feliz que ainda tem gente que passa por aqui e curte o que lê.

Abraços,
Renata.

Claudinha Bártholo disse...

Renata, tudo bem?
Quero dizer que adorei seu blog, as dicas de filmes, conteúdo inserido aqui é excelente!

Muito bom...
:) um abraço!

Eu sou sim! disse...

Ja observou que preconceituosos se contradizem,escondem,usam de artifícios por não conseguir se livrar de suas próprias fraquezas,do emaranhado de valores desprezíveis q são criados ao longo do tempo,por pessoas q nada dizem...mais ou menos isso rsrs,difícil escrever o q estou pensando agora,mais acho q deu pra entender....muito interessante o conteúdo do seu blog.Abraço

Renata disse...

Encontrei o filme, baixei e terminei de assistir hj. Ainda não assumi para meus pais (minha namorada resiste ainda) e tenho certeza de que a reação deles será como a da família do Senador... Chorei algumas vezes. Filme maravilhoso (agora tentando convencer a namorada de assistir tb...) Obrigada pela dica, Renata!

Carol e Carolina disse...

Adorei o post.
Acho complicado entender essa relação entre homossexualidade e religião. Vejo muita gnt "lutando" contra ser o que realmente é através da religião, como se isso mudasse alguma coisa.


Um grande beijo.

Não deixe de postar

Gabriela Rodrigues. disse...

Bem, não sei de onde o seu blog saiu, mas já o leio tem um tempinho, e nunca tinha comentado antes, primeiro quero parabenizar-te pelos cuidados que vc tem de postar cada resenha dos filmes que vc indica, e acho que esse será mais um que vou tentar baixar...

Só fiquei refletindo sobre uma coisa, acho que da mesma forma que não podemos ser totalmente radicais em relação ao argumento de que ser gay é uma escolha (como vc bem expôs) acho que também a homssexualidade não seja algo inato, parece muito determinante pra mim, pensei que assim como não nascemos gay não nascemos hétero, veja bem, para mim é mais uma aglutinação de fatores sociais e individuais, entende? assim como, ao meu ver, não se nasce depressivo, mas, dependendo da sua criação e sua relação com o mundo, vc se torna depressivo, e lembro, fato que vc não escolhe ser depressivo, entende? Acho que a gente não pode radicalizar certos assuntos, pois se o fizermos, acabamos desconsiderando várias coisas...
Não sei se consegui me exprimir bem, e isto também é um assunto polêmico, só queria deixar minha impressão...
Desculpe por escrever tanto num comentário...
e continue fazendo essas resenhas bem legais!!
beijooo

Unijovem disse...

Gostei do blog, mas não é por isso que vim parar aqui. Estou fazendo uma pesquisa pessoal sobre homossexualidade, na verdade sei muito pouco sobre o assunto. Especialmente sobre como essas coisas são percebidas no universo da homossexualidade feminina.
Procuro pessoas que possam me esclarecer mais sobre o assunto.
Caso deseje e possa me ajudar, por favor entre em contato (rppontes@gmail.com) para iniciarmos um diálogo.

Obrigado!

eva disse...

muito bom o post .Esclarecedor em muitos pontos.Falr,divulgar a questao da homossexualidade faz pensar e pensando poderemos acabar com os preconceitos.bela a fa do Bispo Tutu,é sensivel e lucido.A religiao é um poder que quer apenas o dominio dasd pessaos e nao sua emancipaçao.A moral religiosa sempre foi um fiasco.Bom para quem domina.Alias com muita hipocrisia e crueldade.Poucos os sacerdotes que se aplicam na devoçao human de esclacer com amor.Preferem punir,julgar,condenar.Gosto dessa informaçao.

lola aronovich disse...

Oi, Rê! Que bom que vc voltou! Ótimo post sobre um ótimo filme. Eu só vi uma vez, ano passado, lá nos EUA, e acabei enrolando pra escrever sobre ele. Só sei que chorei muito. Agora estou louca pra rever. É um grande documentário. Obrigatório pra todas as famílias que tenham um parente homossexual (ou seja... todo mundo?).

Renata disse...

Oi pessoal,

Muito obrigada pelos comentários! Pretendo sim continuar postando, na medida do possível.

Gabriela,
Você está certa em não querer uma radicalização de qualquer um dos lados, seja da hipótese da escolha seja da teoria genética. Acho que há uma certa fluidez sim, e que não devemos lidar em termos absolutos. Com certeza há diferentes graus, mas eu pessoalmente acredito na hipótese genética. Como ainda não há pesquisas conclusivas sobre o assunto (acredito que demorem a vir), principalmente sobre homossexualidade feminina (por enquanto a ciência está focada só nos homens - pra variar), ainda fico com minhas convicções pessoais. Mas estou aberta a discutí-las sempre que possível. Inclusive acho esse tipo de diálogo muito necessário.

Um abraço!
Renata.

Louis. disse...

Gostei bastante do post, embora ache que em algumas partes você apele para sentimentalismos desnecessários como ' quem escolheria ser gay?' e coisas do tipo.

Acho que a vida de ninguém é muito boa, nossa sociedade tem milhares de regras absurdas que restringem a liberdade das pessoas e causam muitos sofrimentos.

A sexualidade das pessoas é motivo de dificuldades para quase todo mundo, hetero ou gay. Temos adolescentes lutando contra seus instintos, com medo de cometerem pecado se não continuarem castos, mulheres que nunca aprenderam que poderiam, e deveriam , ter prazer no sexo, homem com fetiches secretos que sofrem diariamente, seja pela sua insatisfação ou pelo medo de serem descobertos quando os satisfazem.

Homens heteros, mesmo sabendo que não são gays, passam a vida inteira com receio de que outras pessoas podem pensar que eles são.Ficam se policiando na forma de tratamento com amigos, no comportamento com as mulheres, aprendem a ser um pouco rudes, sérios, e racionais, porque é assim que machos devem agir. Enquanto mulheres são tutoradas a achar que feminilidade é algo externo, como maquiagem, roupas, peso e sapatos e que não fazer de tudo para tentar estar atingir uma beleza inalcançável é não ser feminina.

Você não acha que isso é fonte de sofrimento também?

Então, respondendo a sua pergunta, eu escolheria, sem duvida ser gay, como sou É muito melhor passar por uma crise uma vez, amadurecer, e parar de se importar tanto com o que os outros pensam, do que passar a vida inteira agindo conforme moldes impostos. Isso, é claro, levando em conta que eu vivo no sul do Brasil, não tive muita educação religiosa e sou privilegiado economicamente o que é bem diferente da realidade da maioria.

Mudando de assunto, mas ainda falando do documentário, fiquei muito triste em notar que, nos casos que eles mostraram, as filhas lésbicas têm desfechos muito piores, uma se suicida porque a própria mãe se recusava à aceita-la, a outra não é aceita pelos pais no inicio, depois volta a se relacionar com eles um pouco melhor, porém eles rejeitam ‘esse lado’ da filha. A única que tem um final melhor é a filha do Dick Gephardt, mas ela foi primeiro casada, e não passou por essa fase de sair do armário para a família na adolescência.

Já o coming out dos veados é bem menos traumático.A família se preocupa mais em como garantir o bem estar físico e emocional deles, do que com a bíblia e o que diz sobre isso. Eu fiquei surpreso, na verdade, porque a idéia comum é a de que a sociedade pega bem mais leve com mulheres lésbicas, talvez por subestimar a sexualidade da mulher e considerar as lésbicas apenas um entretenimento para homens heteros.

Nina disse...

Olá Renata! Que bom que voltou! Já baixei o filme, e sinceramente eu acho esse o assunto mais importante sobre o homossexualismo. Eu penso que o medo do preconceito religioso é bem maios do que o familiar. É muito difícil existir uma religião que aceite e entenda o homossexualismo. No meu caso a religião ajudou muito a minha família a me aceitar. Somos espíritas, e de acordo com a doutrina kardequista, o homossexualismo é absolutamente normal, somente uma inversão espiritual. Isso sem dúvida excluiu vários preconceitos na minha família e hoje eu posso dizer muito feliz que todos me aceitam como eu sou e que essa é a mudança que vc mencionou. Nenhum homossexual nasce em uma família sem um propósito á ser mudado. Ler seu post realmente me tocou muito, porque eu nunca sofri nenhum tipo de preconceito e agora eu voltei a sofrer. Indiretamente, mas ainda sim. No caso, a mãe da minha namorada não a aceita e nem me aceita. Nossa vida geralmente se torna um inferno, porque minha namorada sofre com isso e eu por ve-lâ triste e não poder fazer nada. Porque de tudo eu já tentei. Mas ler o post, me ajudou a entender que essas pessoas são tão pequenas no sentindo de nível ideológico que por mais que batamos na mesma tecla tentando melhorar algo, muitas vezes não dá certo. Mas continuar tentando é essencial.
No mais, seu blog continua maravilhoso e eu continuo lendo sempre,rs. Um grande abraço, Nina.

Arthur disse...

AMADOS AQUI É O PASTOR ARTHUR DA CIDADE DE CAMPINAS QUERO MUITO ASSISTIR ESTE DOCUMENTERIO AONDE CONSIGO PODEM ME INFORMAR AONDE COMPRO SE BAIXO PELA NET ALGUM COISA ASSIM
MEU E-MAIL IICNB@HOTMAIL.COM
FICAREI MUITO GRATO PELA AJUDA
QUE DEUS VOS ABENÇOE.

Arthur disse...

AMADOS OSU O PASTOR ARTHUR DE CAMPINAS /SP
GOSTARIA DE ASSISTIR ESSE DOCUMENTARIO OS AMADOS PODE ME INFORMAR AONDE COMPRO.
QUE DEUS VOS ABENÇOE FICAREI MUITO GRATO SE PUDEREM ME AJUDAR
FIQUEM NA PAZ.
E-MAIL: IICNB@HOTMAIL.COM

Izabella disse...

Muito obrigado pelo texto, estou indo conhecer minha namorada virtual amanhã. Passei 12 anos da minha vida tentando lutar contra isso. De repente essa mulher vem e mexeu com todas as minhas bases. Hoje a unica coisa que quero é abraça-la. Estava na net hoje justamente tentando não me considerar uma pecadora. Muito obrigado

.clara dourado. disse...

Oi Renata, tudo bem?

Acabo de "descobrir" o seu blog e tive sentimentos contraditórios a respeito disso. Adorei os posts, achei super informativo e relevante esta partilha da informação.

Sou estudante de Jornalismo e, na semana passada, apresentei uma pesquisa intitulada "Gays na TV Contemporânea: Como os seriados televisivos 'The L Word' e 'Queer as folk' buscam desmistificar os estereótipos dos homossexuais". Neste trabalho descrevi o contexto histórico no qual os estereótipos foram construídos em Hollywood. Foi aí que fiquei triste... Se houvesse descoberto seu blog antes, com certeza minha pesquisa estaria mais bem feita e mais completa! Hehehe

Parabéns pelo blog!

Um abraço,
Clara.

AH! Também mantenho um blog a respeito, se quiser dar uma olhada: www.escritasemsal.blogspot.com

akemi disse...

olá, renata! acabei de descobrir seu blog, e achei muito bacana. :)
fiquei com muita vontade de assistir este documentário, e lembrei de outro: trembling before g*d, que fala sobre judeus ortodoxos gays que tentam desesperadamente conciliar sua sexualidade com a fé.

keep up the good work! ;)

lola aronovich disse...

Oi, Rê! Puxa, adoraria se vc pudesse comparecer a minha defesa na sexta. Mas sei que é difícil, já que vc trabalha um monte e a defesa é no meio da tarde. Mas, se puder passar uma passadinha vapt-vupt lá, já seria ótimo pra gente se rever. Abração, e obrigada por não esquecer de mim!

lola aronovich disse...

Oi, Rê, querida! Legal saber que vamos fazer o mesmo concurso. Acabei de descobrir que não tenho o seu email, então, por favor, me manda um email. O meu é lolaescreva@gmail.com
O O'Shea quer passar material de literatura pra nós duas juntas, então seria bom se pudéssemos marcar um dia.
Ah, e eu tinha a impressão que The Lost Generation era mesmo Hemingway, Fitzgerald etc, mas esse termo, The Novel of Reconstruction, eu não conhecia. Vc que trabalhou academicamente com o Steinbeck sabe se isso se refere a Grapes of Wrath também? Abração!

Ana E. disse...

parabéns pelo blog! adoro dicas de filmes LGBT e fico muito contente com suas criticas. jah coloquei varios para baixar...

atualize, quero ler mais!

beijos!

Daniel disse...

Post visceral. Valeu! Verei o documentário e já está sendo recomendado. :)

rapha disse...

oi rê. ainda não li todo comentário, mas já me adiantando achei pertinente falar sobre o filme, baseado em fatos reais, que vi ontem e que muito me tocou: Amor na trincheira. Fala sobre um soldado que tem um relacionamento amoroso com um travesti. Com isso ele sofre de crises de identidade e também recebe piadinhas de seus companheiros militares que, por fruto do preconceito, acabam matando-o. De abrangênca global, a violência contra homossexuais ainda é um mal presente. Vide bomba na parada gay deste ano na Avenida Paulista :(

Renata Carvalho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Renata, xará,.. achei interessante seu blog, porém vejo que não está atualizado. Achei pertinente e interessante. Sou casada a quase 2 anos, porém não assumida pelo menos para todos (estou na fase do foda-se, com perdão da palavra). Creio que precisemos com certeza de pessoas assumidas até por serem referências e de conteudo lesbico de nivel para debates e afins.

Espero que haja postagem mais recentes e sobre novos assuntos.

às vezes faltam referenciais para o debate.

abs e continue sua empreitada.

Renata

Fernanda disse...

Oi
Como qquer pessoa que tenha passado por isso,ou ainda passe,impossível não chorar.
Achei este blog sem querer, como é meio sem querer tudo o que vem no momento certo para sarar nossas mais profundas dores.
Também não consigo entender onde icomodamos tanto, uma vez que não queremos nada além do que os outros já tem,uma vez que, oficialmente (por mais que alguns contestem)somos tão humanos qto todos.
Num mundo onde tanta coisa está errada, onde há tenta guerra, tanta fome, tanta imundice, crianças abandonadas,drogas,violência, entre outros clichês que gritam nas manchetes dos jornais...Como alguém em sã consciência pode achar errado duas pessoas desejarem formar um família no amor.
(Amor este que é-sim-cristão, e nada me tira isto da cabeça, pq "meu" Jesus não tem pedra alguma para atirar em ninguém.Veio para este mundo e foi humano como eu sou.)
Como alguém pode parar para pensar se devemos ou não adotar uma criança?Claro que há casos e casos, mas como ela pode estar pior na casa de duas pessoas que se amam que na rua, no orfanato?Esse casal irá amá-la integralmente, uma vez que a desejaram mais que qquer coisa e ela será a coroação de um amor...Não é este o motivo mais nobre para uma criança entrar numa casa?
O que de errado poderá ser ensino a ela?Tolerância? compreensão?
Realmente, ainda há muita injustiça por aí!!!!
Mas um texto como o seu tem o poder de um suspiro numa loooonga caminhada!
Talvez meio sem saber, vc mudou meu dia.
Que bom saber que mais e mais pessoas peensam como nós.
Já estava me julgando meio louca.
Obrigada!
Não sei se vc vai ler este comentário, pq o post é meio antigo, mas espero que ele te incentive a continuar plantando sementes.
Eu e minha namorada amamos.
Realmente, não existe acaso.
É mesmo hora de rever conceitos.
Aliás, se não isso não tivesse sido regularmente, mesmo que a força, onde estaríamos?Na idade da pedra?Da inquisição?
Vamos acordar, neh?
Realmente, não existe acaso.
Obrigada pelo lindo texto...
Qquer forma de amor vale à pena!

Maiara Gouveia disse...

Olá, Renata. Parabéns pelo blog, pelas ideias, por tudo. Beijinhos. Voltarei.

/Adriana disse...

Acho que devo ficar muda aqui...

Parabéns pelo blog
Parabéns pelas escritas.

Um beijo

ju k disse...

Excelente post. Agora preciso conseguir o filme. Abç, Juliana (do mestrado na PGI, lembra?)

aliás, peço permissão para te citar no meu blog, posso?

ju k disse...

Re: vi o filme ontem e ele é tão lindo, tão maravilhoso q fiquei com vontade de rever hj.Fiquei especialmente emocionada com a consagração do bispo da igreja episcopal. q crescimento para os cristãos. tenho vários amigos padres q defendem o amor no matter what, e fico bem triste qd ouço ou vejo generalizações do tipo ' os católicos são todos uns @#$$, os cristãos são uns *&%$'. Não é verdade, tem muita gente religiosa lutando contra o ódio e exaltando o direito ao amor.Sempre tive alergia a 'pescaria de versículos' e a gente q usa deus e a bíblia para propagar seu ódio ao diferente de si. A única justificativa possível para condenar a homossexualidade é a crença religiosa de q deus a condena - seja deus chamado de Javé, Jeová, Tupã, Alá,etc.- e é bom demais ver q gente de fato inteligente, do bem, está engajada a mostrar q deus (se existe)jamais condenaria alguém por algo q não causa mal algum, e q é tão involuntário qto sua cor de pele, ou seu gênero. Normal mesmo é amar e ser amado. Abominação é desejar - ou fazer - o mal aos outros. E viva o amor!

Luis disse...

Confesso que tenho medo de arder no inferno ce qe ele existe mas digo qe com o meu conheçimento e minhas atitudes naum estou fasendo mau pra ninguem entaum pq deus me puniria ??

Rogério disse...

Baixar o Documentário - For The Bible Tells Me So - http://tinyw.in/NJv8

Henrique Alves Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Henrique Alves Lopes disse...

Achei seu blog enquanto procura informações a respeito do documentário, assisti ao mesmo e gostei muito da forma como você o resumiu. Gostaria de deixar minha opinião pois a considera diferente do tipo estigmatizado de cristãos (embora diferente, não único, existem aqueles que concordaria comigo) Sou cristão e não concordo com a homossexualidade perante minha crença teológica (sei que isto soará preconceituoso e homofóbico, mas gostaria que lesse até o final). Sei que foram apresentadas vieses interpretativos para as passagens tradicionalmente citadas, mas eu me utilizo de uma hermenêutica diferente para ler as mesmas, por isso ainda não concordo com as interpretações apresentadas no texto.
Não compreendo como genético, por questões da ciência (não há provas conclusivas), mas perante a psicologia (sou estudante) é algo que ser forma muito cedo na infância, de forma que a criança não escolhe e terá que lidar com isso no futuro. Defendo que essas ideias que exponho não cooperam para o preconceito velado, justamente por deixarmos bem claro que não concordamos, mas que também não faremos nada que prejudique ao outro.
Ressalto que assim como a comunidade LGBT tem o direito de se assumir e lutar pelos seus direitos, os cristãos tem o direito de ter suas crenças. Mas penso que é aqui onde existe a grande questão, os cristãos ao não concordarem generalizam para a forma que tratam tais pessoas, como foi muito bem ilustrado no filme, e também fiquei horrorizado: a forma ácida e imperativa com que expunham suas opiniões, até mesmo me envergonhou. Acho que os cristãos tem que saber articular melhor, não concordarem não significa imediatamente e necessariamente discriminar, mesmo não concordando posso conviver com a pessoa (trabalhar, estudar, viver debaixo do mesmo teto) sem prejudicar o outro. Não concordo com a filosofia de vida do meu pai, com as crenças religiosas da minha mãe e nem com a forma que minha irmã leva sua alimentação e estudos escolares, entretanto convivemos diariamente dentro do mesmo teto. Discutimos sobre os assuntos citados acima, cada um com seu ponto de vista , sem querer mudar o outro de crescendo pessoalmente.
Acredito que se a comunidade LGBT e a comunidade Cristã conversassem mesmo discordando poderiam aprender uma com a outra. Eu tenho aprendido, sei o quanto é sofrido terem que se esconder por tanto tempo, e terem que se revelar para os pais, para o mundo. (Que fique claro que não quero fazer uma distinção Homossexualismo X Religião, mas é um fato que existem divergências, como em todas outras categorias). Penso que as pessoas que falaram certas coisas no vídeo nunca leram a bíblia realmente, ao afirmarem que deveriam matar os homossexuais, sendo que um dos mandamentos é não matarás. (estavam apenas usando texto fora do contexto para justificar suas atitudes violentas).
No fundo continuo ressaltando que o diálogo deve acontecer ao menos para que o preconceito prejudicial diminua, por ambas as partes, pois pelo que percebo (e sim, estou generalizando) os dois lados são vistos pelo lado opositor de forma estereotipada, os gays são efeminados e escandalosos, as lésbicas são masculinas demais e os cristãos são fundamentalistas, ignorantes e violento e não conseguem se posicionar contra sem agredir.
Um abraço e até mais!