27 julho 2009

"I Can't Think Straight": comédia romântica com diversidade cultural

Eu sei, eu sei. Faz horas que não escrevo. O que eu posso dizer? As coisas nem sempre são como a gente quer... Minha vida está meio complicada. Estou estudando de novo e trabalhando muito, então acaba sobrando pouco tempo para tudo o resto. Por outro lado tenho boas notícias: estou morando com minha namorada numa casa super legal (seria a casa dos nossos sonhos se não fosse pelo aluguel e pelas vizinhas chatas que não gostam de cachorro). Fica no Sul da Ilha, pra quem conhece Floripa, bem pertinho do meu irmão e da mulher dele.

Bom, sinto muita saudade de escrever no blog e dos comentários de vocês, então hoje me empolguei pra compartilhar um filme visto recentemente: I Can't Think Straight (2007).

É um filme sobre uma mulher que está prestes a se casar e acaba conhecendo e se apaixonando por outra mulher. Hmmm, plot velho né? Alguém se lembra de Imagine You & Me? (Sei que ainda não falei desse filme no Oráculo, mas com certeza vocês já ouviram falar). Mas só o enredo é batido, a execução é bem legal e vale a pena conferir.

Primeiro de tudo pela diversidade das personagens. O filme se passa em Londres na sua maior parte, e uma das personagens (Leyla, à esquerda na imagem ao lado) é muçulmana de origem indiana, enquanto que a outra (Tala, à direita) é da Jordânia, de origem palestina e vinda de uma família cristã. Adoro quando a diversidade é realçada em filmes que lidam com questões de gênero e sexualidade. Acho que em muitas aspectos estamos presas ao universo hollywoodiano, e também à sua estética branca e ocidental.

Mas ainda bem que filmes sobre lésbicas ainda não viraram moda em Hollywood (fora raras exceções e os de mau gosto é claro) e têm seu nicho forte no cinema independente, que permite que a diversidade seja retratada com todas as suas cores. Vendo esses filmes eu me dou conta do quanto de beleza existe fora do padrão estético hollywoodiano. Alguém nega isso olhando para essas imagens?

Muito provavelmente o filme deve a sua diversidade à diretora, Shamim Sharif, que é de origem sul-asiática e sul-africana. Ela é responsável por outro filme sobre lésbicas chamado The World Unseen, que pretendo comentar futuramente no Oráculo. Os dois filmes surgiram de romances escritos pela por ela mesma, que ganharam vários prêmios literários e de cinema. Em resumo, ela é uma dessas pessoas que temos sempre que ficar de olho, tal como Angela Robinson e Alison Bechdel.

A trama, como já dei a entender não muito sutilmente, não traz muitas surpresas. Tala está prestes a se casar quando conhece Leyla. As duas começam a trocar olhares e quando percebem já estão na cama. Daí vem a parte da angústia em relação às famílias tradicionais e a invariável escolha entre ficar no armário ou se assumir.

Leyla lida melhor com a situação, e uma vez que descobre o porquê de todos aqueles livros da Sarah Waters e daqueles cds da K.D. Lang ela respira fundo e encara a família. Você pode ver pela foto ao lado o quanto a mãe dela curtiu a ideia (eventualmente, como na maior parte dos casos, ela melhora de postura, e é legal que o pai dela a apóia desde o começo).

Já Tala decide se afastar de Leyla e tenta seguir com o casamento até a véspera do mesmo... tsc tsc. Depois a dor de cotovelo bate forte... mas como toda comédia romântica (sobre e para lésbicas) as duas acabam voltando aos braços uma da outra. E como vale a pena esperar por esse momento...

Achei a química entre as duas muito legal, e não prejudica nada o fato das duas serem lindas de morrer e terem aquele quê de sapas que não é toda atriz que consegue reproduzir. Também gostei da maneira como os dilemas foram enfrentados pelas personagens, com drama mas sem muito drama, se é que isso faz sentido. Sei lá, não é sempre que você quer ver um dilema existencial de duas horas para chorar do começo ao fim... às vezes só quer ver uma história legal entre duas mulheres. Mas eu já assumi antes que adoro comédias românticas então não adianta ficar escondendo isso.

Uma das coisas que chamou a atenção foi a discussão sobre as diferenças religiosas e culturais entre as duas. Apesar das duas virem de famílias tradicionais e conservadoras em seus países de origem, as histórias são diferentes. É interessante ver como a família de origem palestina lida com assuntos referentes a Israel de maneira polêmica no jantar, ao mesmo tempo em que a família indiana discute a fé e dedicação à religião muçulmana. Quando essas duas discussões se encontram, há certo atrito, mas desenvolvido de maneira muito boa pelo roteiro e direção. Como eu já disse, um drama sem muito drama.

Bom, fica a dica então. Pra quem quiser ver o filme, é bem tranquilo de achar pelos caminhos usuais na internet. As legendas em português você pode baixar por aqui.

8 comentários:

Renata disse...

O post está datado de julho, mas na verdade publiquei ontem (21 de Outubro). Pra vocês verem quanto tempo ficou como rascunho...

Anônimo disse...

Eeeeeeeeeeee!!!
Finalmente retornando...
Vê se não deomra mais tanto pra postar né?
O último foi em março!
hehehehehe
BJos
Júlia

DeH disse...

Pow, sacanagem o texto e as fotos tão bons pra uma pessoa que tá fazendo TCC e mal tem tempo de dormir :/
Quando tudo acabar, vamos fazer uma super sessão lésbica? Podemos ficar o dia todo assistindo e combinar de cada uma escrever um resenha, que tal? :D

;***

Mallika disse...

Fofo demais esse filme.
E outra, essa garota da Jordânia parece muito com a Scarlet O'hara

Renata J. disse...

Bom ver você escrevendo novamente! Adoro suas dicas. Esse filme eu já assisti e simplesmente amei. Além da estória ser bem interessante, rola uma química legal entre as atrizes (tanto no I can't think straight quanto no The World Unseen). Aguardando mais textos!

Renata disse...

Que saudades dos comentários das minhas leitoras queridas. Bom estar de volta. ;)

Renata disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
caju disse...

Acho que é fácil de achar pra comprar, mas será que tem lugar pra baixar o filme? Obrigada.